terça-feira, 21 de novembro de 2017

Kamali

Review: ⚡ Sombra - 'Visiones' (2017) ⚡

Depois de no verão de 2015 ter sido lançada a fascinante e promissora demo (muito venerada e elogiada aqui), eis que esta estimada formação espanhola batizada de Sombra e sediada na cidade asturiana de Oviedo acaba de apresentar o tão ansiado primeiro álbum apelidado de ‘Visiones’. Gravado no OVNI estúdio e lançado no formato físico de vinil pelo selo discográfico local Discos Furia, este extraordinário registo envolve um quente, hipnótico, místico e atraente Heavy Psych de textura étnica, enevoado e climatizado por um contemplativo, devoto e extasiante Krautrock de ambiência espacial, e conduzido por um deslumbrante, perfumado e serpenteante Prog Rock de raiz setentista que empresta toda uma agradável e impactante vitalidade a ‘Visiones’. A sua sonoridade verdadeiramente sublime, etérea e arrebatadora tem o dom de nos deter, enfeitiçar e enlevar a um estádio mental de plena e radiosa ataraxia. Esta endeusada peregrinação desértica que nos norteia de olhar empedernecido e ancorado no horizonte – acima de sedosas, tórridas e bronzeadas dunas e debaixo de um Sol vigilante, febril e resplandecente – é motivada, nutrida e orientada pela admirável, erótica e exuberante combinação entre uma guitarra exótica que se distingue e envaidece em dançantes, prazerosos, ostentosos e comoventes riffs que desmaiam em brilhantes, luxuosos, insuperáveis e desarmantes solos, uma bateria jazzística de toque refinado, fulgente, ligeiro e delicado que tiquetaqueia todo o disco com base na perícia e emoção, e ainda um baixo deliciosamente reverberante de linhas dinâmicas, viçosas, robustas e pulsantes que diligencia com estarrecedora primazia toda esta caravana nirvânica que nos canaliza a um oásis espiritual. Este é um álbum detentor de uma ambiência apaixonante que nos mantém a ele atrelados do primeiro ao derradeiro tema. Banhem-se e deixem-se absorver pelo mélico, radioso e edénico psicadelismo transpirado de ‘Visiones’ e testemunhem todo o esplendor de um dos mais refinados discos de 2017.

Weedpecker - 'III' ⥈ Teaser

05-Jan-2018 via Stickman Records

sábado, 18 de novembro de 2017

Sleepy Sun - "Sandstorm Woman" (2010)

Great Machine & Tiny Fingers // Looking for Witches

Review: ⚡ Galactic Gulag - 'To the Stars by Hard Ways' (2017) ⚡

Da margem oposta do oceano Atlântico chega-nos um dos discos mais entusiasmantes do ano. ‘To the Stars by Hard Ways’ é o álbum de estreia do quarteto brasileiro Galactic Gulag e vem atestado de um poderoso, sublime e encantador Heavy Psych que nos dispara na vertiginosa direcção das estrelas. Lançado ontem unicamente em formato digital – mas com o real interesse da banda em procurar uma editora com vista ao lançamento do mesmo também em formato de CD e vinil – este ‘To the Stars by Hard Ways’ conquistara-me à primeira audição, provocando em mim um firme e intenso estádio de euforia e fascinação que me governara do primeiro ao derradeiro tema. A sua sonoridade viajante, expressiva e hipnotizante – conduzida tanto pela gélida e inóspita obscuridade cósmica como pela quente e acolhedora resplandecência exalada pelos astros – convida o ouvinte a uma envolvente, prazerosa, redentora e estimulante digressão consciencial pelo espaço sideral, deixando para trás o seu corpo caído, inanimado e despido de lucidez. Toda esta admirável ignição que nos lança para a medula da profundidade e intimidade cósmica é promovida e nutrida por duas guitarras portentosas que se consolidam e avolumam em intrigantes, sombrios e imponentes riffs e se esgotam em solos verdadeiramente vistosos, halucinógenos, delirantes e caóticos que nos golpeiam e embebedam de adrenalina, um baixo sólido, possante, vibrante e corpulento que se arrasta e orienta de forma enérgica, ostentosa e dominadora, e ainda uma bateria explosiva, turbulenta e inflamante que se manifesta em incríveis, atraentes, frenéticas e virtuosas acrobacias capazes de nos incendiar de um absorvente entusiasmo e colocar à prova o nosso equilíbrio mental. De destacar e elogiar ainda o requintado e copioso artwork – a fazer lembrar a distinta arte de MÅ“bius – superiormente pensado e ilustrado pelo artista brasileiro Will Silva que confere rosto a esta épica e inesquecível odisseia teleguiada pelos Galactic Gulag. ‘To the Stars by Hard Ways’ é um álbum autenticamente marcante – pilotado a destreza, mestria e emoção – que nos satura de arrebatamento e comoção. Vivenciem-no detidamente com total entrega e devoção.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Heron Oblivion - 'The Chapel' (2017)

Review: ⚡ Zone Six - 'Zone Six' (1998/2017) ⚡

Os já carismáticos Zone Six celebraram no passado mês de Agosto 20 anos de existência e como presente comemorativo o selo discográfico alemão Sulatron Records decidiu desenterrar do tempo e da memória o seu primeiro álbum (lançado no já distante ano de 1998 via Early Birds) e reeditando-o em CD e – pela primeira vez – em vinil (numa prensagem limitada a 500 cópias existentes). Esta renovada edição do histórico disco homónimo apresenta um formato bem distinto da versão original, contendo apenas duas longas faixas instrumentais provenientes da primeira jam session conduzida por Zone Six. Este fascinante registo passeia a nossa consciência pelos envolventes, morfínicos, hipnóticos e delirantes domínios do Space Rock, Krautrock e Psychedelic Rock, numa poderosa, arrebatadora e harmoniosa coligação temperada e irrigada por uma veia experimental que lhe confere uma vistosa dose de exotismo. A sua sonoridade etérea, viajante, lisérgica e meditativa tem a capacidade de canonizar e emancipar a nossa espiritualidade de encontro à mais secreta intimidade do Cosmos bocejante. Uma intrigante, anestésica e relaxante expedição pelos mais distantes, solitários e idosos astros que angustiam e perecem no lado esquecido do espaço sideral. São cerca de 50 minutos encobertos e obscurecidos por uma densa poeira estelar que nos abraça, intoxica e seduz. Recostem-se confortavelmente, selem as pálpebras, dilatem as narinas e recebam esta bênção astral superiormente liderada por uma guitarra mística, ecoante, gélida e narcotizante, um baixo modorrento, vigoroso, pulsante e moroso, uma bateria zen, alegre e magnetizante, e ainda um mágico sintetizador que perfuma toda a deslumbrante, religiosa e magnetizante ambiência sonora de Zone Six. Mergulhem na profundidade cósmica de ‘Zone Six’ e sintam-se tocados e acariciados por um estado edénico que vos encantará do primeiro ao último instante.