sexta-feira, 22 de setembro de 2017

The Great Machine - Live into the Limbo (2017)

Review: ⚡ Ayermaniana - 'Flores Negras' (2017) ⚡

Da capital argentina chega-nos a exótica e primorosa fragância sonora de ‘Flores Negras’, o segundo e novo álbum do quarteto Ayermaniana. Lançado no passado mês de Junho em formato digital através da sua página oficial de Bandcamp, este novo registo da formação enraizada na cidade de Buenos Aires passeia-se e envaidece-se pelos faustosos jardins do ensolarado, alegre, quente e refinado Psych Rock harmoniosamente entrelaçado num meloso, relaxante, encantador e sedoso Folk de natureza setentista que nos adorna, absorve e climatiza num sagrado, sublime e constante arrebatamento. A sua sonoridade imensamente afável, tranquila e agradável provoca no ouvinte uma edénica fascinação que o domina ao longo dos 38 minutos que povoam este caprichoso álbum. ‘Flores Negras’ é uma envolvente, prazerosa e sensacional passeata pelas zonas erógenas da nossa espiritualidade. Uma paradisíaca digressão aos virtuosos domínios do transe. Sintam-se ancorar num pleno estádio de bem-estar ao formoso e delicado som de uma guitarra garbosa que se enfatiza e regozija em doces, macios e aconchegantes acordes e vistosos, polidos e refinados solos que nos eriçam os pêlos dos braços, um baixo ondulante que mareia todo o disco com as suas linhas sombreadas, fibradas e dançantes, uma bateria do toque jazzístico de cativante orientação rítmica que – aliada a uma percussão tribalista – escolta e apimenta toda esta adorável excursão sonora, um elegante, brando e provocante saxofone de uivos exuberantes, melodiosos e serpenteante, e uma voz contida, calma e delicada que suavemente flutua pelos sete temas que integram este magnífico ‘Flores Negras’. Percam-se e encontrem-se por entre a inebriante toxicidade vaporizada pelo novo álbum de Ayermaniana e sintam-se transcender numa ataráxica ascensão de encontro à mais fértil satisfação.

🔥 Turn On, Tune In, Freak Out!

Roadburn Festival 2018

Artwork: Richey Beckett

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Kadavar | Austin Psych Fest 2014

© Cecilia Alejandra

Review: ⚡ Hotel Wrecking City Traders - 'Passage to Agartha' (2017) ⚡

Da carismática cidade australiana de Melbourne chega-nos ‘Passage to Agartha’ o quinto e novo álbum do poderoso power-duo Hotel Wrecking City Traders. Lançado oficialmente dia 2 de Setembro pela mão conjunta dos selos discográficos Cardinal Fuzz / Evil Hoodoo nos formatos físicos de CD e vinil (ambos com edições ultra-limitadas), neste novo disco da formação australiana prevalece um entusiástico, impetuoso e robusto Heavy Psych temperado pelo viajante, etéreo e fascinante Space Rock, pelo exótico, ressonante e caótico Noise Rock e ainda por uma veia experimental que o massaja e irriga do primeiro ao derradeiro tema. São cerca de 90 minutos corridos a alta rotação, numa estimulante, incrível e alucinante odisseia espacial canalizada através de um hipnótico, delirante e infindável vórtice. Uma vez absorvidos pela tântrica e psicotrópica essência de ‘Passage to Agartha’, a nossa lucidez é imediatamente varrida para fora das fronteiras corporais e a nossa alma tomada de assalto por uma intensa e libertadora euforia que nos cospe violentamente na vertiginosa direcção dos astros. É humanamente impossível dissimular toda esta intrigante e provocante avalanche sonora que nos devasta, desgasta e embebeda sem qualquer moderação. Na índole de toda esta enérgica e ofuscante resplandecência superiormente dominada por HWCT estão uma guitarra de aura mística – em constante estádio eruptivo – que desprende sombrios, furiosos, prepotentes e inflamantes riffs de feições Doom’escas, e uma bateria pujante, atlética e empolgante que compassa, esporeia e comove toda esta pesada, frenética e destemida cavalgada que desbrava todo o negro solo estelar. ‘Passage to Agartha’ é um disco que combina e harmoniza a doce lisergia e a viva emoção. Deixem-se empoeirar, dissolver e inebriar pela temulenta radiância deste novo capítulo retirado da fausta, deslumbrante e auspiciosa digressão galáctica de HWCT pelas entranhas do Cosmos soturno e adormecido, e vivenciem uma das mais duradouras, hipnóticas e prazerosas narcoses da vossa existência. Não é fácil despertar de ‘Passage to Agartha’ e recuperar a lucidez que o mesmo nos extorquira ao longo dos 90 minutos distribuídos pelos 6 temas. Um dos álbuns mais morfínicos do ano está aqui.

Pappo's Blues ‎– 'Triángulo' (1974)

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